segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

População diminui acentuadamente e está mais idosa

Os dados definitivos dos Censos 2011, divulgados na passada semana pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), traçam um quadro assustador do despovoamento acentuado no interior do país. Contrariamente aos números nacionais, que apontam para uma ligeira subida da população nos últimos dez anos, o distrito da Guarda perdeu habitantes e em grande número. Segundo os dados do INE, a população residente no distrito à data do momento censitário, a 21 de março do ano passado, era de 160.939 pessoas, menos 19 mil face a 2001, o que representa uma descida de 10,6 por cento (ver quadro).

O decréscimo da população regista-se sobretudo ao nível dos escalões mais jovens. Com efeito, o número de habitantes com idade igual ou inferior a 14 anos passou de 24.331, em 2001, para 18.204 no ano passado (menos 25,2 por cento), enquanto no escalão etário dos 15 aos 24 anos a redução foi ainda mais acentuada: de 23.359 para 15.533, ou seja, menos 33,5 por cento. Contas feitas, dos 19 mil habitantes que o distrito perdeu, quase 14 mil têm menos de 25 anos.
A população adulta (entre 25 e 64 anos) também decresceu, mas de forma ligeira, passando de 87.214 para 80.693 (menos 7,5 por cento). Em contraponto, a população idosa aumentou residualmente. Em 2001 moravam no distrito 45.175 pessoas com idade igual ou superior a 65 anos, ao passo que no ano passado, esse número era de 46.304. Com esta subida, e perante o recuo verificado nas restantes faixas etárias, os idosos ganharam maior peso na população da região. Em 2001, 25,1 por cento da população tinha 65 ou mais anos, enquanto que em 2011 já era de 28,8 por cento. Dos 14 concelhos do distrito da Guarda, nenhum contraria a tendência global de descida da população, mas é em Manteigas e na Mêda que a quebra é mais significativa. Estes dois municípios estão mesmo entre os dez que mais população perderam a nível nacional, em termos percentuais.
Mêda regista a quinta maior descida populacional do país, na ordem dos 16,7 por cento (de 6.239 para 5.202), apenas atrás de Alcoutim, Mourão, Montalegre e Idanha-a-Nova. Já Manteigas surge no nono lugar, com uma descida de 16,5 por cento. Em termos absolutos, o concelho de Seia foi o que registou a maior queda no distrito, perdendo 3.442 habitantes desde 2001, seguido do Sabugal (menos 2.327) e Gouveia (menos 2.076). Também a diminuição da população mais jovem é comum a todos os municípios. Contudo, salta à vista o caso de Manteigas, que em dez anos perdeu 44 por cento da população com menos de 14 anos, passando de 612 para 343 habitantes. Também Almeida e Aguiar da Beira registaram reduções assinaláveis, de 36,1 e 35,6 por cento, respetivamente. Já no que diz respeito à população idosa, o número de habitantes aumentou em oito concelhos, e de forma mais acentuada em Pinhel (8,7 por cento), Seia (8,4) e Guarda (8). Em sentido contrário, os municípios de Celorico da Beira, Figueira de Castelo Rodrigo, Manteigas, Mêda Sabugal e Vila Nova de Foz Côa registam um decréscimo também nesta faixa etária.

Cova da Beira também perdeu população

O cenário na Cova da Beira é em tudo semelhante ao do distrito da Guarda: os habitantes são menos e estão mais velhos. De acordo com o INE, aquela região tinha no ano passado 87.869 habitantes, menos 6,1 por cento que em 2001, quando a população era de 93.579.
Também aqui o número de habitantes diminuiu na faixa etária até aos 14 anos (18,5 por cento), entre os 15 e 24 anos (30,8 por cento) e entre os 25 e 65 anos (3,5 por cento), mas aumentou na faixa etária com 65 ou mais anos (mais 9,9 por cento). Quanto aos concelhos, a Covilhã perdeu cinco por cento da população desde 2001, passando de 54.505 para 51.797 habitantes, enquanto o Fundão recuou 7,2 por cento (de 31.482 para 29.213 habitantes) e Belmonte 9,6 por cento (de 7.592 para 6.859).

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in http://www.ointerior.pt/noticia.asp?idEdicao=682&id=37727&idSeccao=8919&Action=noticia

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